Não achando nem querendo entrar no campo da superstição, acredito em sinais que a vida nos dá. Não sou, neste momento, praticante de nenhuma religião. Não acredito nem deixo de acreditar. Simplesmente neste momento não sinto necessidade de nada (tirando alguns bens materiais tais como alguns € extras e um carro) além do que já tenho no dia a dia. Não digo que não venha, um dia, a voltar a ser praticante. Mas disso que quero falar.
Como vos disse, acredito em sinais, e acreditem que já tive uns quantos! Há quem os denomine de coincidências, ou mesmo sorte. Para mim alguns desses momentos podem até sê-los, mas outros são, claramente, algo mais do que isso.
No verão de 2003 ou 2004, após ter feito um trabalhinho qualquer para o meu pai, este decidiu ter uma das poucas (será discutível?) atitudes simpáticas/intencionais/úteis que teve para mim; deixou-me ficar com a carrinha comercial que tinha de serviço para as lojas da Windsurf Guincho durante uns dias. Isto mesmo já falido e com a carrinha para venda. Quem agradeceu fui eu, que lhe dei o uso máximo! Todos os dias fazia os programas que podia para me desforrar de todos aqueles dias em que sofria as consequências de não ter um carro próprio (curiosamente, tal como na actualidade). Combinava coisas com amigos, ia à praia às horas que eu próprio estipulava sem ter de esperar que os ressacados acordassem às 2 da tarde.
Num desses dias, fui buscar o meu grande amigo de sempre, o Lourenço Vaz Pinto. O destino era a Praia Grande. E lá fomos. Andávamos tranquilamente na fila do meio IC19 a pensar no óptimo dia de praia que nos esperava. Durante alguns segundos olhei para o espelho retrovisor do meu lado para ver quando poderia ultrapassar a carrinha de caixa aberta que circulava à minha frente, mas como a faixa da esquerda estava cheia só podia esperar. Quando finalmente me consigo pôr na esquerda e já estou a com o pisca novamente para a direita à espera de nova vaga para reentrar na faixa do meio, vejo a carrinha que tinha ultrapassado a enfiar-se na parte de traz de outra carrinha ainda maior. O Lourenço ao meu lado só disse "Já estás...".
Sinceramente achei que era um sinal de alguém que me queria bem. Durante o resto do caminho até à praia só pensei nas consequências do acidente, caso eu tivesse continuado naquela faixa. Além do dia perdido, teria de pagar o arranjo com o dinheiro que não tinha, teria de trabalhar o verão todo e quem sabe até mais, e poderia até ter-me magoado a mim e também ao Lourenço.
Só penso que não seria justo que aquilo em acontecesse... Felizmente "alguém" me ajudou...
Além da cena do Paintball, em que uma das pistas se chamava Bidon qualquer coisa, que me fez sentir como se ele se estivesse a rir das mesmas coisas que nós nessa tarde, outra coisa ainda mais brutal aconteceu.
Foi ontem, dia 26 de Dezembro. Dia em que o Bidon faria 27 anos. Após combinar com a Sara, fomos uns tantos amigos mais próximos visitar a Família dele. No meio estava o pequeno Lourenço, filho da Sara que infelizmente nunca teve a sorte de conhecer o tio. E que óptimo tio teria tido... Típico de uma criança acabada de acordar, o Lourenço ainda estava podre de sono e algo rabujento, não aceitando sem ser com choro que a mãe se afastasse um bocado. Mas com o tempo ele foi-se pondo mais à vontade, deixando de estranhar tanto aquela quantidade considerável de tios improvisados. Até que no meio da brincadeira ele estava a brincar com um comboio azul, onde se sentava e empurrava feliz da vida. Soubemos então que aquele comboio azul tinha sido dado ao Nuno (Bidon) pelo seu padrinho quando tinha uma idade próxima do Lourenço. Soubemos também que durante anos aquele comboio azul tinha estado guardado calmamente no seu canto sem que ninguém o "incomodasse". Curiosamente, no dia de anos do Bidon, na presença de alguns dos seus amigos em sua casa, o seu sobrinho aparecera na sua sala com um brinquedo do tio que nunca conhecera e em que curiosamente mais ninguém pegara até este dia. Divertido e inconscientemente brincou com ele até irmos embora. Para mim, foi um claro sinal de que, embora longe, o Bidon esteve connosco neste dia...
quinta-feira, dezembro 27, 2007
Sinais da vida
Publicada por
Tiago Rebelo de Andrade
à(s)
14:55
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