Entao Maezinha e paizinho!! e manos!
Cheguei ontem de manha. Fui num 747, vulgo aviao de 2 andares, da south african airways, numa caminha da executiva, mas isso ja a mae sabe. Nem gostas!
O meu colega do lado era o tenente general Jonatão Morais, da embaixada angolana em Londres. Mal me apresentei deu-me logo o cartão. E no fim do voo disse para lhe ligar para que "combinarmos alguma coisa". Vinha por causa do casamento do filho, que ia durar o fim de semana. "Ia ser até às quinhentas!"
Vim a maior parte do tempo estendido a dormir na verdadeira cama que a minha poltrona se transformou.
Não admira que quando saí do aviao, acabado de acordar, nem reparei que havia um gajo com uma placa com o meu nome. Passei por ele, dizem, e segui as filas pró passaporte normais, as filas para possível interrogatório, tudo. Por alguma razão havia poucos brancos nessas filas.
E pronto, não havia ninguém então encaminhei-me pra saída onde tava um batalhão de angolanos a gritar. Entre eles um com um cartão a dizer deloitte. Era o Nelson, motorista, 25 anos, 4 namoradas.
Normalmente o caminho do aeroporto para o centro, nunca é menos que uma hora. Havia transito por todos os lados. Nao sei como é que ele fez mas acabamos por demorar prai meia hora.
Viemos o caminho à conversa e no fim, e como ainda vou precisar dele cada vez que chegar ao aeroporto, achei que podia gratifica-lo com 5 dolares. Aceitou a nota e o máximo que me disse foi, tá fixe.
Não há de levar mais nada de mim.
Entretanto tou hotel presidente, porreiro, 18ºandar com vista pró porto, óptimo pequeno almoço, net grátis no bar... Não posso sair a pé do hotel. Sempre de carro. É o único senão desta cidade. (Quer dizer, não é bem o único.) Não se pode ir a nenhum lado sem ser de carro. Já andei 100metros na rua pra ir almoçar mas pouco mais.
Pra por gasolina, a qq hora do dia, demora-se pelo menos uns 20min. Há operações stop muitas vezes. Malta sem passaporte, prá choldra logo. E pra sair tem de se largar uma nota preta.. O mesmo se não tiver todos os documentos do carro. Mas nos andamos sempre com tudo.
Há bue gente a pedir na rua. Nas imensas filas de transito. Passam entre os carros com toda a espécie de coisas, desde jornais, pensos, pastilhas, peças de carro, cartões de telemóvel, fruta,, prateleiras, cestos de basket...
Hoje, a caminho do aeroporto fartei-me de tirar fotos às casas (não se pode chamar casa mas…), às pessoas que iam na rua. Há alguma (muita) pobreza…
E agora mudando para assuntos mais engraçados, o professó Tomais deu hoje a sua primeira formação. E digo-lhe, os pretos não são tão burros como parecem. Alias são muito mais espertos porque parecem burros mas não são. E é mta fácil ter tendência para subestima-los e depois, fodeu. São muita bem dispostos estes gajos. Sempre, sempre a rir, sempre bué relaxados. Começamos com meia hora de atraso, mas mal bateu as 12h foi tudo a querer e a bazar para almoçar!
Lol tou a escrever este mail algures num open space da TAAG e um gajo na outra ponta acabou de arrotar…!
Comecei este mail no aeroporto e tou a acaba-lo aqui na sede, no centro. Mae, nao é somente para te tranquilizar, digo-lhe honestamente, isto é muito mai sseguro do que aquilo que se diz. Só quem passou pelo mesmo é que consegue dizer. Nao há a insegurança que toda a gente diz. De qualquer maneira nunca vou andar a pé, sempre de carro.
Assim que puder mando fotos daqui.
BJS!
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
Testemunhos de Tumé na sua aventura angolana
Publicada por
Tiago Rebelo de Andrade
à(s)
10:47
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